Jair Oliveira fala de seu "stand-up concert" desta noite no Teatro Erotídes de Campos


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Por Henrique Inglez de Souza 

Este sábado (4) reserva uma porção de atrações na noite de Piracicaba. No Teatro Erotídes de Campos (Engenho Central), às 20h, Jair Oliveira apresenta o show que comemora suas mais de três décadas de carreira – turnê iniciada a partir do DVD Jair Oliveira 30 (2014). A entrada é franca. Informações: (19) 3256-4500. 

O cantor, compositor e multi-instrumentista paulistano estará acompanhado de Marcelo Maita (teclado), Dudinha Lima (baixo), Junior Gaz (guitarra) e Jota Erre (percussão). Serão executadas canções que vão desde os primórdios do artista, da época em que fez parte do infantil Balão Mágico, aos seus registros recentes. Também estão no programa clássicos da história de seu pai, o cantor Jair Rodrigues, morto em 2014. 

Você está comemorando 35 anos de uma carreira com fases um tanto díspares. Como organizou o repertório? 
Quis contemplar praticamente todas as fases, principalmente as mais importantes. Abro com Disparada, que obviamente não é do meu repertório, e todo mundo sabe disso. É justamente para mostrar como a influência do meu pai sempre esteve presente na minha carreira, especialmente no começo. Depois, coloquei algumas coisas da época do Balão Mágico e da minha dupla com a Simony. Mas a maior parte do show é do período em que me mostro como compositor. 

Como costurou canções de períodos tão específicos? 
O show que tenho feito é diferente do DVD, até por conta das participações especiais não conseguirem estar comigo. Então, o DVD acaba tendo ainda mais esse caráter de homenagem aos 30 anos de carreira.

A minha banda é um quarteto, e os arranjos são adaptados para essa formação. Como componho bastante, a apresentação já não é mais exatamente como a do DVD. Incluo composições novas, que ainda nem gravei, e também converso muito. Comecei a contar umas histórias engraçadas do meu pai e da minha própria carreira. As pessoas têm dito que parece que estou fazendo o show na sala de casa... O show é bem intimista e descontraído. 

Abrir com Disparada, além de uma nítida homenagem, representa uma origem em todos os sentidos, já que você iniciou a sua trajetória gravando com seu pai. 
Exatamente! É uma música que marcou, não só a carreira do meu pai, mas bastante a minha e a da minha irmã, Luiciana Mello. Ele já tinha tido sucesso, com Deixa Isso Pra Lá – que, por sinal, também canto no show –, mas acho que o grande marco da carreira, principalmente no início, foi Disparada, com a qual ganhou o Festival da Música Popular Brasileira de 1966, junto com A Banda, do Chico Buarque. Tornou-o um nome nacional. Isso transformando tudo na vida dele e, consequentemente, na da família. Eu nasci em 1975, mas a música continuou a marcar a família inteira. Tocá-la hoje em dia faz até ainda mais sentido, porque, com o falecimento dele, as pessoas já entendem como uma grande homenagem – não só da carreira dele, mas também da minha. 

Hoje analisando, qual é o traço mais marcante que se consolidou com a sua carreira na música que faz? 
Acho que hoje em dia me considero muito mais compositor do que intérprete – na minha família tem os intérpretes, meu pai e minha irmã. Esse é um lado marcante, além do meu envolvimento com a música de maneira genuína. Já estive em vários lados do mercado. Num lado muito comercial, com programa diário da TV Globo e o Balão Mágico lotando estádios no Brasil inteiro. Conheci bem esse lado da música comercial, na década de 1980. Já estive em um mercado intermediário – entre a independência e uma gravadora de tamanho até razoável, a Trama. E já há um tempinho, desde 2005, que estou completamente independente. Faço meus trabalhos pelo meu próprio selo, o S de Samba.

Portanto, conheço as várias facetas do mercado, e nunca abandonei o que acredito na música. Atuei sempre com muita verdade, e isso passa para as pessoas. Como tantos da minha geração, posso não fazer parte do grande mercado da música, mas consegui adquirir um respeito. Construí a minha carreira em cima dessa verdade. 

E qual é essa verdade? 
Cara, é você trabalhar em cima daquilo em que realmente acredita, independentemente do que o mercado solicita. Essa é a verdadeira independência artística. É você fazer independentemente do que o mercado dita, que nem sempre é aquilo em que acredita. No meu caso, tem sido assim há alguns anos. E me traz muita satisfação ter essa independência, saber que consigo realizar os meus projetos sem ter que me forçar a fazer coisas que, de repente, não toparia. É uma satisfação enorme poder sobreviver de música e fazer o que realmente acho que tenho de fazer. 

Te assusta ou anima essa onda gerada pela internet na indústria fonográfica? Ainda não há nada definido nesse jogo. 
Não vou te dizer que me assusta, porque desde o começo da internet no Brasil – e eu acompanhei isso de perto –, sempre enxerguei nela uma parceira, ainda mais para os artistas independentes. É claro que há várias coisas que precisam de ajustes, pois sabemos que o mercado fonográfico, no país, vem sofrendo golpes constantes dessa coisa de a música não ter mais valor financeiro – especialmente no meio digital. Mas, sei lá, uma hora, chega-se a um denominador comum. 

Você prioriza mais uma fase do que outra, dependendo de onde vai tocar? Por exemplo, que show Piracicaba irá ver? 
Não tenho feito muito isso, de priorizar fases. Às vezes, acabo mudando um pouco dependendo da energia do público e tal. Quando sinto que as pessoas estão querendo músicas mais animadas, coloco algumas assim. Ou então, sinto que dá para colocar uma inédita mais lenta. Faço isso... É claro que costumo priorizar a minha fase atual, mas como esse show tem caráter de homenagem a esses meus primeiros 35 anos de carreira, incluo as músicas da época do Balão Mágico, e vejo que as pessoas ficam bem felizes em ouvi-las. 

São, o quê, umas 20 músicas que toca? 
No show atual, como conto diversas histórias, diminuo um pouco o número de canções. Senão acabo estendendo demais, e deixaria com umas 3 horas de show. Ia ficar difícil [risos]. 

Então, você está fazendo um "stand-up concert"... 
[Gargalha] Um bom termo para usar nesse show. É isso aí!

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